MERCADO IMOBILIÁRIO

Habitação: Transações caem 9,4% no 1º trimestre, mas preços continuam a subir, com aumento de 4,6%

21 Abril 2026   |   Fonte: Confidencial Imobiliário

Habitação: Transações caem 9,4% no 1º trimestre, mas preços continuam a subir, com aumento de 4,6%

O mercado residencial registou um abrandamento da atividade no 1º trimestre de 2026. De acordo com a Confidencial Imobiliário, foram transacionadas 37.750 habitações em Portugal Continental no 1º trimestre do ano, o que representa uma queda de 9,4% face ao trimestre anterior, quando se registaram aproximadamente 41.600 transações. Este desempenho confirma a tendência de menor dinamismo que se tem observado desde a segunda metade do ano passado.

“Estão a emergir novos fatores com impacto no mercado residencial, nomeadamente a instabilidade internacional e as expectativas de subida das taxas de juro, que tendem a condicionar a procura e o investimento em habitação”, explica Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário. Ainda assim, o responsável sublinha que esta evolução deve ser interpretada com alguma perspetiva: “Apesar da redução da atividade em 2026 face a 2025, o volume de transações mantém-se alinhado com a média observada desde 2019. O mercado parece ter atingido o pico da sua capacidade de crescimento, mas mantém-se a atuar nesse patamar.”

Apesar da diminuição do número de transações, os preços continuam a evidenciar uma trajetória ascendente. No 1.º trimestre de 2026, os valores de venda registaram um crescimento de 4,6% em cadeia — em linha com o trimestre anterior — e de 21,1% em termos homólogos. Embora este último valor represente uma ligeira desaceleração face ao máximo histórico de 23,4% observado no final de 2025, confirma a persistência de uma forte pressão sobre os preços.

A evolução dos preços num contexto de menor atividade reflete, sobretudo, a escassez estrutural de oferta, particularmente nos segmentos intermédios do mercado. Apesar dos sinais positivos ao nível da produção imobiliária, o volume de nova habitação que chega ao mercado permanece significativamente abaixo dos níveis registados há duas décadas. Em 2025, foram concluídas cerca de 26.700 habitações (dados INE), assinalando quase uma década consecutiva de crescimento da construção, mas correspondendo ainda a apenas cerca de um terço do volume registado em 2005.

Uma tendência semelhante verifica-se ao nível do licenciamento. Em 2025, foram licenciados 41.830 fogos (dados INE) — um resultado positivo, mas que representa pouco mais de metade do registado há 20 anos. A concretização do investimento continua também condicionada: no mesmo ano, deram entrada pedidos para o licenciamento de 71.980 novos fogos, sendo que apenas o correspondente a 64% dessa carteira foi alvo de emissão de licenças.

Neste enquadramento, a combinação entre uma oferta limitada e uma procura resiliente continua a sustentar a subida dos preços. De acordo com o SIR – Sistema de Informação Residencial, no 1.º trimestre de 2026, o preço médio de venda em Portugal Continental atingiu 3.262€/m². No segmento da habitação nova, os valores médios ascenderam a 4.374€/m², ultrapassando pela primeira vez a barreira dos 4.000€/m². Já no mercado de habitação usada, o preço médio fixou-se nos 2.959€/m².

Créditos imagem: © Étienne Beauregard-Riverin | Unsplash


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