Braga está a transformar-se e a reabilitação urbana assume um papel central nessa mudança. Dos grandes projetos que devolvem vida ao património da cidade aos desafios do setor da construção, tais como, a escassez de profissionais e o aumento dos custos, a conferência "Braga. Um mercado habitacional em crescimento", realizada a 10 de julho, no Museu D. Diogo de Sousa, traçou um retrato do presente e das perspetivas para um mercado em plena evolução.
Durante a tarde do dia 10 de julho, a atenção deslocou-se para a reabilitação urbana enquanto instrumento de regeneração e de revitalização da cidade. Entre os exemplos apresentados destacou-se a intervenção, em curso, na antiga Fábrica Confiança. Com obra do Grupo Casais, este projeto dará origem a uma residência universitária com 501 quartos, preparada para acolher 786 estudantes, num terreno com mais de seis mil metros quadrados. Para além da recuperação deste importante património industrial, a intervenção distingue-se pela forte incorporação de soluções construtivas industrializadas. "É uma construção off-site, mais sustentável, com menos desperdício e com uma aplicação mais simples e mais rápida", explicou José Luís Pereira Costa, Coordenador de Pré-Construção Design Building do Grupo Casais. Outro dos exemplos apresentados foi o MUZEU – Pensamento e Arte Contemporânea dst, instalado no antigo Tribunal Judicial de Braga. Promovido pela dst Group, num investimento de cerca de 40 milhões de euros e com projeto de reabilitação do arquiteto Carvalho Araújo, o novo equipamento reúne mais de 1.500 obras de 240 artistas nacionais e internacionais.
Falta de profissionais preocupa todo o setor
A mesa de debate "O papel da reabilitação urbana na transformação das cidades", reuniu Fernando de Almeida Santos, Bastonário da Ordem dos Engenheiros; Avelino Oliveira, Presidente da Ordem dos Arquitectos; João Carlos dos Santos, arquiteto e em representação do Património Cultural; e Filipe Ferreira, Administrador da AOF e membro da Direção do GECoRPA – Grémio do Património.
Da arquitetura à engenharia, passando pela construção, a escassez de profissionais qualificados constitui um dos principais entraves ao desenvolvimento do setor. "Faltam profissionais à construção", afirmou Fernando de Almeida Santos, recordando que Portugal precisa de cerca de 500 novos engenheiros, por ano, durante a próxima década para responder ao volume de obra, pública e privada, prevista e para assegurar a natural renovação geracional dos profissionais ativos. Também a Ordem dos Arquitectos alerta para a perda de talento nacional que opta pela emigração quando confrontado com baixos salários. "Estamos a perder quem sabe fazer", advertiu Avelino Oliveira. Para Filipe Ferreira há um problema cultural e que é preciso ultrapassar. "Somos descendentes de pedreiros e carpinteiros que fizeram catedrais e palácios por toda a Europa. E parece que nos esquecemos disso. É preciso superar preconceitos, ultrapassar estigmas e valorizar quem quer e sabe fazer".
Otimismo moderado quanto às novas medidas
Da simplificação do licenciamento urbano, à redução do IVA, passando pelos anúncios relativos ao mercado de arrendamento, o setor reconhece que são medidas positivas, mas cujo impacto pode ser mais moderado do que o expectável. Embora o setor ainda se debata com a adaptação dos técnicos e dos municípios ao novo Simplex do Urbanismo, João Carlos dos Santos reconhece o valor das alterações e considera que "hoje já temos mecanismos e legislação que permitem simplificar" os processos. Mas como este é apenas um elemento da equação, Avelino Oliveira admite que "os custos de construção vão continuar a subir". E explica que "os custos de matérias-primas, materiais, tecnologia, mão de obra vão continuar a aumentar" refletindo-se, inevitavelmente, no preço da habitação. Também Fernando de Almeida Santos manifestou reservas quanto ao impacto da redução do IVA, admitindo que a medida "pode servir todos os destinatários, menos o consumidor final".
Créditos fotografia: © Vida Imobiliária / Marildo Montenegro
(Da esq. para a dta.) António Gil Machado, Diretor da Vida Imobiliária; João Carlos dos Santos, Arquiteto e representante do Património Cultural; Fernando de Almeida Santos, Bastonário da Ordem dos Engenheiros; Avelino Oliveira, Presidente da Ordem dos Arquitectos; Filipe Ferreira, Administrador da AOF e Membro da Direção do GECoRPA – Grémio do Património.